POR Time Out, José Carlos Fernandes (feb.2015)

Ao quarto disco, o projecto Communion do baterista João Lencastre mudou-se para a etiqueta italiana Auand, mas a âncora continua a ser Nova Iorque, onde a CD foi registrado e onde têm base as estrelas internacionais já conhecidas dos discos anteriores – Phil Grenadier, David Binney, Jacob Sacks e Thomas Morgan, a que soma o português André Matos.
A abertura, com “View Over the Palace”, tem uma energia irresistível, que contrasta com a faixa seguinte, “House of Fun”, de tonalidades sombrias e assombrada por um sintetizador fantasmagórico. Nem sempre o disco mantém este nível, ainda que os músicos (em particular Sacks) revelem proficiência e intensidade e as composições – quase todas de Lencastre – denotem um trabalho cuidado (a excepção é a enfática e redundante “Lucky River”).
Mas o ponto culminante não é da pena de Lencastre nem sequer provém da órbita do jazz: é a Valsa op.39 n.9 de Brahms, uma pérola de melancolia, depuração e delicadeza, em versão para piano, contrabaixo e bateria. Fica-se a matutar no transcendente disco que se obteria se tratamento análogo fosse aplicado às restantes 15 valsas do op.39.